sexta-feira, 23 de julho de 2010

Amor acaba assim?



Amor acaba assim?

De repente?

O que silencia o coração?

“Palavras apenas, palavras pequenas.”

A dor acaba em poesia, mas a poesia não acaba com a dor.

Ainda sinto sua falta.

Mas o que adianta sentir se...

Eu (não) quero você assim?

Será que algum dia você esteve aqui?

Qual você?

Quem é você?

O que foi verdade?

Até onde a verdade foi?

Poesia, dor, amor...

É o fim da história?

Cadê nosso final feliz?

Amor acaba assim?

Responda-me quem puder.

Responda-me SE puder.


FIM






No fim, o que restou?


As mensagens no meu celular, a 3x4 na sua carteira


As lágrimas nos olhos, o choro contido, escondido, disfarçado.


O último beijo, o abraço de despedida.


O último adeus, a última vez que te vejo partir.


O último “meu amor”.


A música repetindo freneticamente na noite de sábado:


“No fim do arco-íris vai estar toda a Paz do nosso amor (?)”


O sábado de aniversário.


Um ano.


“De repente as coisas mudam de lugar e quem perdeu pode ganhar.”


Melhor assim?


Melhor para nós dois?


Só o tempo dirá.


Enfim, o fim.


Enfim, sós.


Enfim, só.


Enfim, cada um para si, Deus por nós dois.



quarta-feira, 21 de julho de 2010

Drogas: prevenir, combater e cuidar é preciso

Era uma vez um menino de classe média que estudava nos melhores colégios, freqüentava a alta sociedade, viajava para a Disney, adorava curtir a vida e a liberdade. Um dia esse garoto conheceu as drogas. Experimentou. Gostou da sensação de poder que o entorpecente lhe propiciava. Gostou tanto que passou a vender drogas e saltou de mero consumidor a barão do tráfico no Rio de Janeiro. Essa narrativa resume parte da história de João Guilherme Estrella, o protagonista do livro “Meu nome não é Jhonny”, de Guilherme Fiúza, que inspirou o filme homônimo. Nas favelas ou no asfalto, as drogas têm feito vítimas, que transitam entre os estigmas de herói e vilão e os rótulos de traficante, dependente e consumidor esporádico.


Para o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, a política de repressão às drogas liderada pelos Estados Unidos e respaldada pela ONU fracassou. Junto com os presidentes César Gaviria, da Colômbia e Ernesto Zedillo, do México, FHC lidera a Comissão Latino-Americana de Drogas e Democracia, cuja proposta e descriminalizar o porte da maconha para consumo pessoal e enviar os usuários para os médicos ao invés da cadeia. Trocando em miúdos, enfrentar o consumo de entorpecentes como um problema de saúde pública, não como uma guerra.

O norte-americano Robert Sweet, primeiro juiz federal a defender publicamente a legalização do uso da distribuição de todas as drogas vai além. Para Sweet, a legislação atual sobre drogas nos Estados Unidos é inconstitucional do ponto de vista da liberdade individual, porque segundo a constituição daquele país, os cidadãos devem ter o direito de controlar e tomar decisões sobre suas questões privadas.


Melhor do que permitir o uso de drogas é imbuir à sociedade o sentimento de repúdio ao consumo de entorpecentes, através de sistemáticas campanhas preventivas. Um jovem não deixa de usar drogas por causa da proibição da lei, mas porque sua consciência o faz agir assim. O combate ao crime organizado e a violência e corrupção gerados por este também representa um importante passo para o enfrentamento às drogas. Uma legislação que não deixe brechas nem ambigüidades quanto à conduta da policia e do judiciário frente a usuários e traficantes poderia aumentar o poder de fogo contra as drogas. Já a legalização parece ser um belo tiro pela culatra, ou melhor, no escuro.

Não há qualquer experiência positiva nesse sentido no mundo. Na Holanda, primeiro país a liberar o uso da maconha em 1976, o consumo em bares especiais é liberado, mas a venda fora deles é proibida. Pesquisas apontam que o consumo de entorpecentes naquele país aumentou e a Holanda tornou-se um centro de abastecimento de drogas no mundo, por isso deve acontecer uma revisão dessa liberação.

Se com a descriminalização do consumo de drogas menos pessoas morreriam no combate ao tráfico, as disputas sangrentas entre traficantes por seu filão no comércio de drogas não terminariam. Ao contrário, seriam “turbinadas” pelos grandes industriais, que poderiam distribuir entorpecentes como fazem com as drogas lícitas, cigarro e álcool, e incentivar seu consumo. Também poderia acontecer um aumento no número de dependentes, pois a liberação tornaria as drogas mais baratas e acessíveis. Com ou sem descriminalização do consumo de entorpecentes, o dependente precisa receber orientação e cuidados médicos, mesmo que isso signifique ônus ao já sobrecarregado sistema público de saúde.

Ao invés de dar força ao argumento de liberdade individual e de fazer o que bem entender com o corpo é preciso frear o avanço das drogas. Na situação de calamidade social em que 5% da população do planeta (200 milhões de pessoas) são usuários de drogas, a soberania do indivíduo sobre si e sobre o próprio corpo, defendido pelo filósofo inglês John Stuart Mill, parece comprometer o bem-estar desse mesmo indivíduo, de sua família e de todo o círculo social do qual faz parte.