domingo, 22 de maio de 2011

Passando rapidinho

Olá...
Pessoal.... Tenho vivido dias de intensa reflexão... e cada vez mais gosto desse espaço, que entrou timidamente na minha vida e agora ganha status de um quase confessionário (quase porque não há como "publicitar" tudo que se passa na minha vida... - e nem seria bom..)

Caderno, papel, canetas em mãos... escrevendo.. mas sem tempo para editar esses textos e colocar aqui... Por enquanto, posto músicas que fazem parte das minhas memórias/lembraças (tenho gostado muito dessa palavra ultimamente).

Prometo publicar, o mais rápido possível, novos escritos. (Essa semana vai ser tensa: trabalhos, trabalhos e mais trabalhos... estágio, revista, minicurs, enfim, vida que segue).

Abraços a todos.

domingo, 15 de maio de 2011

A mão do Mestre

 

Pombo-Correio




Carlos Drummond de Andrade


Os garotos da Rua Noel Rosa
onde um talo de samba viça no calçamento,
viram o pombo-correio cansado
confuso
aproximar-se em vôo baixo.

Tão baixo voava: mais raso
que os sonhos municipais de cada um.

Seria o Exército em manobras
ou simplesmente
trazia recados de ai! amor
à namorada do tenente em Aldeia Campista?
E voando e baixando entrançou-se
entre folhas e galhos de fícus:
era um papagaio de papel,
estrelinha presa, suspiro
metade ainda no peito, outra metade
no ar.

Antes que o ferissem,
pois o carinho dos pequenos ainda é mais desastrado
que o dos homens
e o dos homens costuma ser mortal
uma senhora o salva
tomando-o no berço das mãos
e brandamente alisa-lhe
a medrosa plumagem azulcinza
cinza de fundos neutros de Mondrian
azul de abril pensando maio.


3235-58-Brasil
dizia o anel na perninha direita.
Mensagem não havia nenhuma
ou a perdera o mensageiro
como se perdem os maiores segredos de Estado
que graças a isto se tornam invioláveis,
ou o grito de paixão abafado
pela buzina dos ônibus.
Como o correio (às vezes) esquece cartas
teria o pombo esquecido
a razão de seu vôo?


Ou sua razão seria apenas voar
baixinho sem mensagem como a gente
vai todos os dias à cidade
e somente algum minuto em cada vida
se sente repleto de eternidade, ansioso
por transmitir a outros sua fortuna?

Era um pombo assustado
perdido
e há perguntas na Rua Noel Rosa
e em toda parte sem resposta.
Pelo quê a senhora o confiou
ao senhor Manuel Duarte, que passava
para ser devolvido com urgência
ao destino dos pombos militares
que não é um destino.

sábado, 14 de maio de 2011

Lágrimas de palavras


Foi uma mistura de amor, esperança, ciúme e despeito. Também teve uma pitada de desespero. Aquelas palavras foram escritas enquanto ele pensava em mim? "Ela" sou eu? Receberei aquele abraço? Há amor? Esse sentimento florescerá? Vale a pena ter esperança?  Delírio? Ilusão? Mas... e se "ela" não for eu?







Ciúme. Despeito. Rejeição. Lágrimas. Caíram. Jorraram. Molharam. Os olhos. O rosto. Percorreram meus lábios. Mancharam a camisola. O teclado do computador. Explodiram no peito. Sugaram o ar. Turvaram a vista. Expulsaram das veias o oculto, velado, escondido, subentendido.







E, de novo, emerge aquela sensação. Aquele sentimento de que não há saída, não tenho aço o suficiente em meus nervos para resolver, solucionar, dominar, decidir. Lentamente, então, conversamos. Lentamente, seguimos em frente. Lentamente, meus sentimentos diluem-se, confundem-se, embaralham-se. Com outros, com elas, com outros eles, outros nós y con nosotros, com um outro (re) começo. Outra... outra história.


 

Poemas, reportagens e outras coisas

Olá,


 
Fiquei um tempo sem escrever por aqui. Só por aqui. Sigo escrevendo/redigindo: artigos, reportagens (haja criatividade para exercitar o Jornalismo Literário), releases, notas, house organs, mensagens no Gtalk, no MSN, no Twitter. É... os tempos mudaram... rsrsrsrsrssrrsrs

Hoje, com alguns colegas do curso de Jornalismo da PUC Goiás, participei de um curso de extensão sobre Livro-Reportagem. Se eu gostei? É... foi um pouco decepcionante, mas como sempre, esse segmento do Jornalismo conseguiu revirar meus sentimentos, minhas emoções, minhas lembranças mais antigas... Coração em desalinho... Sentimentos em revisão. Autoconhecimento. Isso é muito bom e não pode parar por aqui. =)

E para melhorar, no sorteio que ocorreu logo após o curso, ganhei o livro "Eu tomo antidepressivo, Graças a Deus!" Quase um milagre kkkkkkkkk ultimamente, ando ganhando só bola nas costas kkkkkkkkkk

Se der, se rolar e se estiver inspirada... comento alguma coisa aqui.

Destaque especial para o amigo Cláudio Marques, que pude conhecer pessoalmente. Muito prazer!

Conversa vai, conversa vem, a Wanessa Mereb comentou sobre o poema O laço de fita, de Castro Alves. Conhece!? Não!? Então leia abaixo....


O laço de fita









Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita.Meu ser, que voava nas luzes da festa,Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!
Meu Deus As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepita
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.