segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Antes que o dia termine... Música!

Então o JPS resolveu transformar Bendito dia em música.
Eu não me opus. Mas, confesso, até havia esquecido.
E não é que ele cumpriu a promessa!?
Obrigada, querido!
Ouça! :-)
video


P.s.: Em breve, um vídeo mais produzidinho ;)


A vida que ninguém vê

 
Na última semana, em Goiânia, o Estado passou a ver a vida que ninguém vê. Explico: desde agosto, 15 pessoas em situação de rua foram mortas a pedradas, pauladas e tiros. Até então, nada havia sido feito. Quando escrevo "nada" me refiro a ações que vão muito além de isolar a cena do crime, coletar provas e instaurar um inquérito.
 
Na véspera do Natal, porém, a 15ª morte fez o Estado convocar três reuniões em apenas uma semana para tratar da questão. Demorou. E muito. O assunto é complexo e acompanhar uma das reuniões me ajudou a dimensionar isso.
 
Antes, havia conversado com alguns moradores de rua. Medo é o sentimento dominante. Publico abaixo a história de dois deles, Pedro e Ana (os nomes são fictícios), com quem conversei no fim de tarde de uma terça-feira. (Sim, lembrei desse texto aqui).
 
A matéria completa pode ser lida aqui.
 
 
“Não vou apanhar, nem levar um tiro na cabeça”
 

Os pés sujos e enrugados fazem Pedro ostentar bem mais do que os 29 anos que ele diz ter. O olhar sem rumo e a boca com um sorriso desfeito – há falhas e os dentes que sobraram estão mal conservados – denunciam o abandono e a precariedade das condições de vida. As mãos seguram uma caixa de fósforos e deixam cair um cachimbo reluzente que ele esconde no abrigo que criou em torno de si usando um cobertor.

 
É fim de tarde de uma terça-feira. Ele perambula com Ana (22), sua companheira, pela Praça da Matriz, em Campinas. No mesmo espaço, uma avó e seus dois netos aguardam o pipoqueiro terminar de encher os saquinhos com suas encomendas. Senhoras confortavelmente instaladas nos bancos assistem o cair do dia. Na igreja, alguns fieis rezam para o santo de devoção.
 
 
Foto: Paulo José/Tribuna do Planalto
 
Há quatro anos, quando a droga os empurrou para as ruas da capital, se conheceram. Pedro conta que veio de São Paulo para trabalhar, mas é reticente ao dizer com o que se ocupava. Ana já morava em Goiânia. A família dela também vive na capital: a avó na Fama e a mãe no Urias Magalhães. Antes de conhecer Pedro, Ana já era mãe de dois filhos, hoje com oito e cinco anos. A caçula, filha do atual esposo, tem dois anos e vive com a avó materna.

 
“É só eu ligar e eles trazem ela aqui. Quase toda semana vou para casa da minha vó tomar banho (sic)”, descreve a jovem, que também traz um cobertor enrolado ao corpo. Apesar da gravidez precoce, ela diz que só passou a viver nas ruas depois de se viciar em cocaína. Depois veio a merla. E depois veio qualquer coisa que a deixe “doida”, como descreve.

 
Medo

 
Para comprar a droga, pedem dinheiro nos sinaleiros. O montante também seria destinado para a compra de alimentos e de bebidas, como refrigerantes. Parece não ser suficiente. “Ou, me dá um pouquinho dessa coca, moça (sic)”,pede Ana, ao ver uma jovem passar pela praça com um sanduíche e um refrigerante nas mãos. A voz rouca não prendeu a atenção da pedestre, que seguiu seu caminho sem olhar para o lado. É a vida que quase ninguém vê e a fome que poucos se arriscam a matar.
 
 
Durante a noite, Pedro e Ana se dedicam a uma vigília salvadora. “Dormir a noite? Durmo não. De jeito nenhum”,resume Pedro. O medo também é compartilhado por Ana. “Tô sempre acordada. Se tentarem me matar eu mato eles de canseira (sic)”,assegura, em um misto de confiança e galhofa. Pedro explica que eles só dormem à luz do dia e “onde a sociedade está passando 48 horas por dia (sic).” Ou seja, próximo a locais com grande movimento, como as lojas. “Tendo gente 'tamo' seguros: não vou apanhar, não vou tomar um tiro na cabeça (sic)”, ressalta.


O dia final

É. Em poucas horas 2012 será passado.
Nos últimos dias - até pela ausência de conexão com a internet - pude refletir bastante e organizar algumas coisas.
Foi bom. Muito bom. Devorei dois livros, praticamente.
Vivi e ponto.
É isso: viver.
Fico feliz por ter, nesse espaço, momentos tão importantes registrados em códigos que só eu sei a chave para decifrar.
É bom. Reconfortante.
Então...
Feliz 2013!
Vamos viver! :)

domingo, 23 de dezembro de 2012

Feliz Natal, querido


Os 21 dela - que mais parecem 25 - enganam, despretensiosamente, os 32 dele.
"A culpa não é minha", responde, em tom submisso.
Pedia perdão, como de costume, por um desengano que não havia sido atribuído a ela.
Ele é que se desculpou.
Havia exagerado nos pedidos, na intimidade, nas exigências por uma decisão.
Nada propunha, mas a tudo estava disposto.
"Você é o mais legal", amaciava o ego dele, na tentativa desesperada por mais um naco de tempo.
Precisava pensar. Deseja decidir.
Afinal, o tempo deles era diferente.
Se conheceram em um outubro qualquer de um ano para esquecer.
Ele não ostentava nada no dedo anelar esquerdo. Mas o compromisso estava lá.
Ela era só uma criança com uma aliança prata fantasiando o anelar direito.
Menina boba. Não havia compromisso algum ali.
"Você não é uma criança boba...", consolava, fraternalmente.
"É apenas uma menina que está crescendo... amadurecendo... e procurando saber o que deseja da vida", completava.
Vertia lágrimas naqueles olhos que se acostumaram com a distância entre eles.
Estava certo.
Profecia cumprida.
Tempo.
Exceção.
Silêncio.
Hoje, na madrugada do Natal, solitária e sem anéis alheios – agora só ostenta os comprados por ela – lembrou-se dele.
Só queria desejar um Feliz Natal.
Mas terá que ser assim: distante.
Feliz Natal, querido. Para você, para elas.


P.s.: Para você, que eu admiro.
24/12/2012
02h22

Quem inventou o amor?

 
 
“Eu queria ser uma ave aninhada nos fartos cabelos dela. Andar de mãos dadas. Eu queria retê-la, nem que fosse para ela disparar aqueles sorrisos enigmáticos que me aturdiam. Eu queria me declarar. Declarar o quê?”.
(Diga toda a verdade — em modo oblíquo, Carmen L. Oliveira, Rocco, 176 págs.)
 
 
 
***
 
Trecho extraído da resenha "Quem inventou o amor?", de Vilma Costa, publicada na edição de dezembro do jornal Rascunho. O texto completo pode ser lido aqui.
Vale a pena... ;-)
 

O que é a felicidade?




Aproveitar o dia com aquilo que te faz bem! ;-)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Carta para o "nunca"

Goiânia, sábado, 08 de dezembro de 2012
 
Olá, querido "nunca"
 
Duramente, há pouco mais de um mês, você me destroçou.
Foi em uma tarde de sábado, como hoje.
Depois de uma semana atormentada pelas dores físicas, consequência dos nossos desencontros e reticicências, a definição adiada há quase dois anos chegou.
Sutil!? Não. Nem um pouco.
A maturidade objetiva requerida nos últimos tempos foi despejada sobre mim aos moldes dos tufões e tempestades que arrasam cidades inteiras.
Destruída fiquei.
"Meu mundo caiu", cantava Maysa, a rainha da fossa, enquanto meus olhos perdidos buscavam algum consolo.
Eles encontraram amizade. Um lindo amigo, aliás. Mais do que perdidos, estão famintos.
Até do passado - que enterrado estava - foram obrigados a se recordar.
Saudade, fome, desejo.
Agora, eles seguem buscando ver cada cor segundo a sua verdadeira tonalidade.
Mesmo com tanta dor e agonia, obrigada, querido "nunca".
A vingança em curso está.
Seremos felizes. Eu, você e mais alguém.
 
Com carinho,
Kuma Chan

Minha promessa


"Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa" porque não quero que tudo isso pareça especial. Não é que não seja. Até é. Só não quero carregar as tintas. Quero, sim, dar uma cor adequada para cada amizade, para cada amor. Para cada dia em que um "olá" é mais do que uma saudação. É bálsamo, alegria, reciprocidade. Sem ciúmes, brigas, desentendimentos. Sem qualquer sentimento mesquinho que rasgue ou manche nossa história. Dimensionar cada "você" é preciso.
 
 
 
 
 
Goiânia, 08 de dezembro de 2012, sábado
 

Minha vingança

Em silêncio, gestei minha vingança.
Não foi díficil, admito. (Até me surpreendi!)
Agora, silêncio e vingança se confundem.
Um é o outro e o outro é o um.
Difícil é manter o "outro" e o "um".
Complicado é barrar o desejo.
Difícil talvez seja deixar tudo como está
E, assim, enterrar toda nossa história.

Goiânia, 08 de dezembro de 2012, sábado

Maturidade




Talvez falte a você, meu bom rapaz, a maturidade objetiva dos 30.
Acalme-se, querido.
Daqui a cinco ou seis anos você chegará lá...
Chegaremos (a)onde?


Goiânia, 16 de abril de 2012
P.s.: Hoje, mais do que nunca, não sei a resposta para a pergunta do verso final. ;-(

Cadernos





Põe meu nome em teu caderno.
Faça dele prosas, poesias e rimas.
Sonetos e haikais.
Faça dele inspiração para os teus escritos.
Doce regalo para tuas madrugadas.
Paz para as tuas inquietações.
Mas como, se meu nome é tão pequeno e seco, sem a delicadeza saltitante dos "as"?
Mas como, se nossos cadernos permanecem cerrados e a dor e a angústia adornam suas páginas?
Façamos de tudo isso aproximação.


P.s.: Para você, que eu amo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Goiás, o cenário para a arte maior de Niemeyer




O mundo perde o homem que fez da arquitetura uma (re)invenção constante, e, por isso, desenhou com traçado firme seu nome na história. 


Foi nas terras cedidas por Goiás à União que o maior artista da história do País e gênio universal Oscar Nie­meyer ergueu a sua maior obra: as construções que tra­n­sformaram Brasília Patri­mônio Cul­tural da Huma­nidade. A 10 dias de completar 105 anos, o arquiteto partiu. Era fim de noite do dia 5 de dezembro, uma quarta-feira, e o corpo centenário não resistiu à insuficiência respiratória. 

O mundo perde o homem que fez da arquitetura uma (re)invenção constante, e, por isso, desenhou com traçado firme seu nome na história. Imprimiu sua marca em diversos cantos do país e de outras nações: “Se você tem que vencer um espaço grande, a curva é a solução natural que o concreto armado pede. E o mundo é cheio de curvas”, justificou, em entrevista concedida à repórter Isabel Murrey, da BBC Brasil, em 2001.

Brasília, incrustada em um naco de Goiás, no Planalto Central, é o seu projeto mais conhecido, fruto de uma parceria com o então presidente Juscelino Kubitschek. Eles já haviam trabalhado juntos em 1938, na Pampulha, conjunto arquitetônico de Belo Ho­ri­zonte. Lá, enquanto Ku­bitschek realizava o primeiro tra­balho como homem público, Niemeyer debutava como arquiteto. “Na Pampulha, comecei essa arquitetura que mais me agrada, mais livre, mais ligada à curva, mais emocional, procurando a invenção arquitetônica”, relembrou. 

As técnicas fizeram sucesso e, mais tarde, foram usadas na construção da capital federal, erguida em apenas três anos. Tempos de solidão para o arquiteto, que trabalhava em condições precárias e vivia em barracões de zinco. Ganhava “salário de funcionário” e amargou prejuízos financeiros com a empreitada, depois de fechar seu escritório para se dedicar ao novo projeto. 

Kubitschek bem que tentou ajudar: ligou para Niemeyer sugerindo que ele passasse a trabalhar pela tabela do Instituto de Arquitetos.  “Não, não faço. Sou funcionário, não faço trabalho que não seja o que tenho que fazer aí mesmo”, respondeu Niemeyer do outro lado da linha. “E esse foi o clima sob o qual Brasília foi feita - de muito entusiasmo, de muito desinteresse por dinheiro”, resumiu, em entrevista à BBC.

“Fui a Goiânia e vi”

Em 2001, 41 anos depois da construção de Brasília, Niemeyer relembrou que o grande sonho de Kubitschek era fazer da nova cidade um catalizador para o desenvolvimento para região.  “Outro dia fui a Goiânia e vi. Essa cidade durante a construção de Bra­sília era um arrabalde, uma cidadezinha qualquer, hoje é uma cidade grande, com progresso, prédios grandes, parques, cinema, tudo. É que a ideia de levar o progresso para o interior realmente se realizou”, elogiou.

A marca do progresso trazido por Brasília não é a única herança do poeta das curvas para a capital de Goiás. Por aqui, o traçado característico de Niemeyer pode ser conferido no Centro Cultural que leva seu nome, inaugurado em 2006. O desenho é simples: quatro volumes com formas e usos distintos, sobre uma esplanada retangular. A ideia para a obra surgiu em 1999 e o projeto inicial era criar o Monumento aos Direitos Humanos.

Segundo relata o arquiteto Marcílio Lemos, em entrevista ao site do Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON) ele foi ao escritório de arquitetura de Niemeyer, no Rio de Janeiro, e disse, de forma enfática: “Vim cobrar o aluguel das terras onde o senhor construiu Brasília!”. O arquiteto logo percebeu que se tratava de uma brincadeira e passou a ouvir a encomenda que, pouco antes da viagem ao Rio, já se ampliara para um centro cultural.

“A vida é mais importante do que a arquitetura”

Para os mais jovens, talvez Niemeyer seja o centenário que resistiu ao tempo e povoou as redes sociais com postagens galhofeiras relacionadas à sua idade. O arquiteto era espécie de Highlander à brasileira. Inquebrável. Mesmo depois de internações seguidas, ele sempre voltava para casa, preocupado em retomar os trabalhos. De certa maneira, o poeta das curvas ainda é um “guerreiro imortal”. 

Como poucos, conseguiu estabelecer entre cultura, política e arte um forte laço existencial. Comunista “desde que na­s­ceu”, pregava a valorização do homem. Para ele, a arquitetura que o consagrou em todo o mundo nada representava diante da vida, que, ao mesmo tempo “é um sopro, um minuto. A gente, nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado”, definiu, em entrevista à BBC Brasil. 

Também não dava menor importância ao dinheiro, como demonstrou durante a construção de Brasília. Na quinta-feira, 06, o Governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz,  de­cretou sete dias de luto oficial. A presidenta Dilma Rousseff repetiu o gesto. Em vi­da, porém, Niemeyer rejeitou ser lembrado apenas como o  construtor da capital federal. Seu desejo era ser recordado “como um ser humano que passou pela Terra como todos os outros - que nasceu, viveu, amou, brincou, morreu, pronto, acabou!” Assim seja!


Texto publicado originalmente aqui


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pequenas mentiras


É o fim de uma era
Desconfortável posição
Sons que não encantam
Vozes que já não comovem
Sorrisos que não cativam
Presença reticente
Invisível, sou arremedo de mim

Eu, apenas

O coração reclama uma razão para prosseguir.
Eu, apenas eu.
Sendo o que sempre fui, mas nunca percebi.
Respondendo as perguntas que norteiam a vida.
Redesenhando o futuro

Juventude


O hálito fresco da juventude bate à minha porta.

Quatro” é o signo da nossa diferença.

Mas não é o único.

Por enquanto, porém, é o mais forte.

O que impõe a distância.

Emudece e abrevia as ligações.

Planejo o futuro para daqui a duas semanas.

Regalos, navidad, nuestras vidas...


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O encontro

Querido, tento descobrir as razões para nosso encontro. Hoje, depois de um dia tão ruim para nós, começo a perceber que os fatos se encaixam. Reciprocidades são compartilhadas, cuidados mútuos são desejados e prometidos. Até as dores e os medos são os mesmos! Gosto de você, meu querido! Nos gostamos, meu lindo amigo!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Histeria


Aqui, há um choro engasgado.
Há palavras que precisam ser ditas, gritadas, repetidas, escancaradas histericamente.
No entanto, concretamente, apenas sussurro: “não aguento mais”.
Decisão está tomada. 


"Tomo um café para ver se esqueço"


 
 


 
 
Café aplaca a depressão.

Ativa o cérebro, os pensamentos.

Amplia as distâncias.

Revela faces e fases.

Se faz presente. Onipresente.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Bendito dia

Meu bom rapaz, não sou mulher de eternidades prometer.
Há tempos isso no passado ficou.
Mas o empenho do nosso futuro feito está.
Promessa acordada, termos assinados.
Bendito dia aquele do nosso encontro.
Benditos sejam todos os dias que, mesmos distantes, juntos estamos.
Juntos e nós mesmos, apenas.
É o que basta!
Perpetue, reciprocidade bendita!



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Promessa

Preciso ser forte como nunca antes fui.
Os desafios são grandes e muitos.
E eu sou minha pior inimiga.

***

“Ela ficou olhando-o, e então percebeu que nunca, em toda sua vida, estivera tão perto de alguém quanto naquele momento estava perto de Tao Chi’en. Sentiu-o como parte do seu próprio sangue, com uma certeza enraizada e feroz, e admirou-se de não ter percebido isso em todo aquele tempo vivido ao seu lado. Ignorava-o, embora o visse todos os dias. Sentiu saudade dos tempos em que tinham sido apenas bons amigos, mas isso não significava que pretendesse recuar. Agora havia algo pendente entre eles, algo muito mais complexo e fascinante do que a angústia da amizade.” (Filha da Fortuna, Isabel Allende, pag. 462)

domingo, 11 de novembro de 2012

O tiro de misericórdia

Vi todo o meu orgulho em sua mão/  Deslizar, se espatifar no chão/  Eu vi o meu amor tratado assim /  Mas basta agora o que você me fez


Do fundo do meu coração
Adriana Calcanhotto

Eu, cada vez que vi você chegar
Me fazer sorrir e me deixar
Decidido eu disse: nunca mais
Mas novamente estúpido provei
Desse doce amargo, quando eu sei
Cada volta sua o que me faz
Vi todo o meu orgulho em sua mão
Deslizar, se espatifar no chão
Eu vi o meu amor tratado assim
Mas basta agora o que você me fez
Acabe com essa droga de uma vez
Não volte nunca mais pra mim
Eu, toda vez que vi você voltar
Eu pensei que fosse pra ficar
E mais uma vez falei que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim
Se você me perguntar se ainda é seu
Todo meu amor, eu sei que eu
Certamente vou dizer que sim
Mas já depois de tanta solidão
Do fundo do meu coração
Não volte nunca mais pra mim

 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Nós

História inacabada.
Vou comprar um caderno bonito para terminar de lhe escrever.
Contarei aquilo que, por medo ou vergonha, silenciado foi.
Regressarei ao passado colhendo as pistas do amor adiado.
A letra bonita e arredondada bordará as folhas.
Adorno.
Futuro.
Enfim, seremos nós.

04/11/12
20h38

Encontro

Recolhi os cacos dos pedestais quebrados.
Quando pensei que tudo acabado estava, o recomeço chegou.
Confirmação: amada fui.
Erros e desencontros ocorreram, porém.
Muitos.
Só resta, então, aguardar nosso novo (re)encontro.

04/11/12
20h40

sábado, 27 de outubro de 2012

Comer, rezar e amar

 
 
 
Julia Roberts, como sempre, encantandora.
 
 
 
"Equilíbrio é não deixar ninguém te amar menos do que você se ama."
 
 
"Pare de tentar! Se entregue!"
 
 
"Com amor e gentileza (eu vi sua felicidade). E foi tudo muito real."
 
 
"A ruína é a estrada para a transformação."
 
 
"Estágio de completa e cruel desvalorização de si mesma."
 
 
"Com um coração partido que você não larga porque dói demais."

As pequenas vitórias

O relógio marca pouco mais de 13h. Divido minhas atenções entre a redação desse texto e a leitura dos jornais do dia. Escuto música. Anos 80, claro. Se pudesse, mudaria de mala e cuia para essa época. Não posso.
 
Mas posso comemorar a pequena vitória de hoje: apesar  de uma noite terrível, consegui ir a aula de Inglês Instrumental. Apesar de não ter feito as atividades (vegonha! rs), fui. Pequena vitória que dá cor ao meu dia. Ou pelo menos me livra do gosto amargo do pequeno fracasso.
 
 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Agonia

Gosto de sangue na boca. Faca cravada no peito e nas costas. Sangra. Respiração reticente. Perdi. Fim.

A semana (II)

 
Meu sorriso é falso. Histérico. Tenta mascarar minha realidade. Ledo engano. Ele quer me convencer que está tudo bem. Mas não está. Semana terrível. Para ser esquecida. Lançada na fogueira. Queimada. De domingo a sexta. O sábado, que mal começou, também.
Um tropeço a cada recomeço. Recomeço?
 
 
Semana para ser queimada, esquecida.


 
 
Enfim, é isso. Sem mais:
 

 
 

domingo, 2 de setembro de 2012

As dores

Liga para a outra e pergunta se a dor passou.
Para as minhas dores, quem liga?
Dores abstratas. Escondidas.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Recomeçar


Estou ali, onde você me deixou.
Invejo, por vezes, os que enfrentam dilemas fúteis, mas reconheço que os meus, perto das dores alheias, não passam de pequenas gotas de sofrimento, angústia e solidão.
Está tudo bem, está tudo bem, eu repito, como um mantra. 
Estou ótima, reforço. 
Ficará tudo bem, concluo.
Vamos recomeçar? Me entrego à proposta. Vamos.  

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Palavras para ele

A filha dele não terá avó, mas dessa senhora certamente herdará o gosto por Chico. O gosto que ele aprendeu e, sem querer querendo, me ensinou. Uma canção de Chico talvez seja trilha de uma noite solitária da menina que acabou de nascer. Noite solitária como a minha. Estaremos dentro da mesma solidão? Longe, perto? O longe não existe. Sufocado para sempre. Porque hoje nem sei mais qual é o tempo dele. Fui lançada à solidão.


sábado, 4 de agosto de 2012

A semana

Começou no sábado a última semana. Dia de encontros. De história. De vida revirada, revivida. Atípica semana: de mudanças por dentro, nem tanto por fora, mas de resultados, reações, resoluções, enfim, do inesperado.


Ontem, sexta-feira, o fim da semana que começou no sábado, fui a igreja. Congregar. Era culto das crianças e foi bom vê-las cantando, se divertindo.  O filho do pastor entoou os hinos da harpa, logo no início da celebração. Os arredondados olhos negros ficaram ainda maiores enquanto ele cantava.


O garotinho, que deve ter seis ou sete anos, olhava com uma cara assustada aquelas crianças com as quais ele sempre brinca, briga, estuda, enfim, se diverte. São amigos. Mas naquele momento não eram mais. As crianças - maioria no templo - não eram os amiguinhos de uma farra infantil. Eram a plateia. Ele, o cantor. Um erro qualquer seria a senha para julgamentos. E os olhinhos assustados percorriam os ilustres desconhecidos.


Nessa semana, me senti como o garotinho. E eu, com meus olhos assustados, observo tudo como se não reconhecesse minha própria história. Tudo errado e fora do lugar. O que antes parecia certo e sólido caiu por terra em um lance. As posições se inverteram.  Me perdi. Sou (a) outra. O passado foi ressignificado. O que será do meu futuro?


Who's gonna pay attention, to your dreams? And who's gonna plug their ears,
when you scream?

sábado, 21 de julho de 2012

Ainda



Ele disse que ficará tudo bem. E eu nunca quis tanto acreditar nisso.

sábado, 30 de junho de 2012

Palavra morta-viva


"E são tantas marcas/  Que já fazem parte/   Do que eu sou agora/  Mas ainda sei me virar"


Desenho a palavra morta-viva. Brotou no meu peito há anos. Perpassa minha existência. Redesenha meus caminhos. Uma, duas, três vezes, talvez. Quatro se conseguir conceituá-la a contento. No entanto, esse conceito é abstrato. Depende do papel que represento, assumo. 

Palavra impiedosamente desferida contra minhas costas ou aconchegada em meu peito, com gosto de exceção, de carinho adiado e, finalmente, concretizado? Vítima agonizante de caminhos nunca antes desvandados ou força motriz de relações doentes e inalcançáveis? 

Ah, palavra-morta viva! Você entrou de vez na roda. Quero extirpá-la.

Goiânia, 26 de junho, 10h25.

****

E eu nem me lembrava qual a data de hoje. Quem diria. Seria nosso aniversário.

sábado, 23 de junho de 2012

A beleza do inútil

Oi, leitor@s

O último post já completou mais de um mês. Nesse período de silêncio, pelo menos aqui no Palavras, muita coisa mudou. Até meu  local de trabalho. E teve até uma ida rápida a São Luis, no Maranhão. Enfim, novos desafios, novas pessoas, novas perspectivas. 

Calma! Não se anime... Velhos problemas continuam. Apesar disso, velhas "manias" foram extirpadas. Para o meu bem, creio. Ressignificar é preciso. Ressignificar as relações, imprescindível. 


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É noite de sábado e eu releio o livro Ciranda de Pedra, de Lígia Fagundes Telles. Algumas páginas já ganharam o colorido rosa de um marca texto. A seguir, destaco um desses trechos:

 
"Ouça, Virgínia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A  distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas (...) Aquela estrelinha que está nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... Não faz nada. Apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a Beleza. No inútil também está Deus."

(Ciranda de Pedra, Lygia Fagundes Telles, pag. 135)



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Até o próximo post

 


sábado, 14 de abril de 2012

Poeminha sem nome





 

Eu era mais feliz com o Spandau Ballet.
Sim: sozinha, eu e meus pensamentos, eu e minhas manias.
Eu e meus medos misturados aos sonhos.
Eu e meus desejos tortos.
Eu e meu único desejo de ser feliz.
Desculpe! Você me decepcionou.
Ainda prefiro os meus sonhos, meus pensamentos e minhas vontades.
Eu ainda me prefiro...
Prefiro o amor de fantasia à decepção real,
A infelicidade,
A você...
Mas não se preocupe, seja feliz!

Escrito em 29/05/2010 às 23h29


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Meu tempo é outro



Procurei tua foto nas pastas perdidas.
Olhei teu perfil em uma esquina qualquer da internet.
Fiz um poema.
Meu coração, uma prece.
Meus sentimentos, perdidos.
Arrependimento?
Meu tempo é outro. E não é o teu.
Então, não pode ser o nosso.
Quero não dormir. Quero te encontrar.
Quero reler os e-mails perdidos, trocados, respondidos.
Revolvidos.
Amor-carinho escafandrista
Guardado. Escondido. Adiado.
Sufocado, até. Até quando?

domingo, 8 de abril de 2012

O Quinze, três vezes






Não me arrisco a fazer uma resenha ou uma crítica literária. Seria insano e  até prepotente. No entanto, registro minhas impressões sobre O Quinze, de Rachel de Queiroz. Conheci a obra aos 13 anos, em 2004, quando cursava a 7ª série do ensino fundamental. Meses antes lera Memorial de Maria Moura e confesso que as aventuras da Moura me arrebataram mais do que a história de Conceição.

Em 2011, ao cursar a disciplina Jornalismo Literário, redescobri, o livro. A identificação com Conceição, dessa vez, foi imediata. Alguns trechos pareciam descrever sensações por mim vividas e da leitura e de um episódio do cotidiano surgiu esse post, aparentemente sem ligação com obra. O meu texto é “inspirado” (licença poética na minha conta, por favor) nesse trecho d’O Quinze:

“Deitada na cama, com a luz apagada, Conceição recordava Vicente e sua visita. A verdade é que ela era sempre uma tola muito romântica para lhe emprestar essa auréola de herói de novela! Metido com cabras... Não se dava ao respeito... E, ainda por cima, não se importava nem em negar...     Mãe Nácia, porque naturalmente, no tempo dela, agüentou muitas dessas, diz que não vale nada... E a moça comparou dona Inácia àquelas senhoras de alma azul, de que fala Machado de Assis... Foi então que se lembrou que, provavelmente, Vicente nunca lera Machado... Nem nada do que ela lia.     Ele dizia sempre que, de livros, só o da nota do gado. Num relevo mais forte, tão forte quanto nunca o sentira, foi-lhe aparecendo a diferença que havia entre ambos, de gosto, de tendências, de vida. O seu pensamento, que até há pouco se dirigia ao primo como a um fim natural e feliz, esbarrou nessa encruzilhada difícil e não soube ir adiante.     Ele lhe parecia agora um desses recantos da mata, próximo a um riacho, num sombrio misterioso e confortante. Passando num meio-dia quente, ao trote penoso do cavalo, agente para ali, olha a sombra e o verde como se fosse para um cantinho do céu... Mas volvendo depois, numa manhã chuvosa, encontra-se o doce recanto enlameado, escavado de minhocas, os lindos troncos escorregadios e lodosos, os galhos de redor pingando tristemente. Da primeira vez, pensa-se em passar a vida inteira naquela frescura e naquela paz; mas à última, sai-se com o coração pesado, curado de bucolismo por muito tempo, vendo-se na realidade como é agressiva e inconstante a natureza... Ele era bom de ouvir e olhar, como uma bela paisagem, de quem só se exigisse beleza e cor. Mas nas horas de tempestade, de abandono, ou solidão, onde iria buscar o seguro companheiro que entende e ensina, e completa o pensamento incompleto, e discute as ideias e vêm vindo, e compreende e retruca às invenções que a mente vagabunda vai criando?Pensou no esquisito casal que seria o deles, quando à noite, nos serões da fazenda, ela sublinhasse num livro querido um pensamento feliz e quisesse repartir com alguém a impressão recebida. Talvez Vicente levantasse a vista e lhe murmurasse um ‘é’ distraído por detrás do jornal... Mas naturalmente a que distância e com quanta indiferença... Pensou que, mesmo o encanto poderoso que a sadia fortaleza dele exercia nela, não preencheria a tremenda largura que os separava. Já agora, o caso da Zefinha lhe parecia mesquinho e sem importância. Qualquer coisa maior se cavava entre os dois. E, cansada, foi fechando os olhos e confundindo as ideias que aumentavam como sombras de pesadelo, e dormiu, num sono fatigado e triste, sob uma estranha impressão de estar sozinha no mundo.” (páginas 84-86)


Nos primeiros dias de janeiro deste ano, dias que antecedem meu aniversário, reli O Quinze. (Re)leitura estética, técnica. Uma outra visão. Afinal, "welcome to your life", frase de abertura da música Everybody wants to rule the world, do Tears For Fears, tocava constantemente em minha cabeça... Havia acabado de me graduar e, sem falsa modéstia, senti que (re)começava minha vida, definia meus caminhos, depois de defender minha monografia.

Enfim, mais segura, mais madura,  fiz a terceira leitura do livro. E se existiam dúvidas, elas se foram. Morri/morro de amores por Conceição! Tenho uma identificação pessoal (quase igual, mas em uma área diferente, a que tenho em relação ao Atlético Goianense...). Em muitos pontos sou Conceição:

“Acostumada a pensar por si, a viver isolada, criara para seu uso ideias e preconceitos próprios, às vezes largos, às vezes ousados, e que pecavam principalmente pela excessiva marca da casa.” -(página 14)

E é Conceição quem me faz re-redigir esse post, que mofava em uma pasta na área de trabalho do meu computador. Já está  grande. Conto com a sua paciência, leitor.


Personagens e narração

O grande trunfo de Rachel de Queiroz na construção de seus personagens em O Quinze é a narração dos acontecimentos e a descrição não apenas do estado físico, mas, principalmente, do “estado de espírito” de seus personagens.

Ela envereda pelas trilhas do psicológico e, por meio de adjetivos, descreve o físico degradado pela seca. Mãos, gestos, suspiros - qualquer coisa que remeta ao corpo do personagem - serve de pretexto para a descrição minuciosa. Verbos ganham novos sentidos e a leitura torna-se mais deleitosa. Como no trecho a seguir, extraído da página 54 (grifo da blogueira)


“Parou. Num quintalejo, um homem tirava o leite a uma vaquinha magra. Chico Bento estendeu o olhar faminto para a lata onde o leite subia, branco e fofo como um capucho... E a mão servil, acostumada à sujeição no trabalho, estendeu-se maquinal mente num pedido... Mas a língua ainda orgulhosa endureceu na boca e não articulou a palavra humilhante. A vergonha da atitude nova o cobriu todo; o gesto esboçado o retraiu, passadas nervosas o afastaram. Sentiu a cara ardendo e engasgo angustioso na garganta. Mas dentro da sua turbação lhe zunia ainda aos ouvidos: ‘Mãe, dá tumê...’ E o homenzinho ficou, espichando os peitos secos de sua vaca, sem ter a menor ideia daquela miséria que passara tão perto, e fugira, quase correndo...”


No capítulo 16 temos o ápice da transformação do cabra Chico Bento. Ele, acostumado apenas ao trabalho, relutou, mesmo vendo a família assolada pela fome, a pedir comida. Ao chegar no Campo de Concentração, sutilmente, Rachel de Queiroz mostra ao leitor a mudança que se operara no vaqueiro (grifo da blogueira):


“E saiu depressa, segurando as pregas da sua saia de lã azul, em direção ao local de distribuição; atrás dela Chico Bento arrastava os pés, curvado, trêmulo, com a lata na mão estendida, habituado já ao gesto, esperando a esmola.” (página 97)

 
Outro trecho resume os resultados que o sofrimento da seca geraram em Chico Bento (grifo da blogueira):


“E o almoço, ao meio-dia, onde, junto ao pirão, um naco de carne cheiroso emergia, mal o soergueu e animou. Já era tão antiga, tão bem instalada a sua fome, para fugir assim, diante do primeiro prato de feijão, da primeira lasca de carne!...” (página 106)




Deveria redigir algo interessante. Uma “sacada daquelas” para encerrar “com chave de ouro” (e sem clichês) esse post. Mas acredito que O Quinze, suas influências (sobre mim, sobre a literatura) permanecem. Serão repensadas e resignificadas. Para quem não leu, #ficaadica ;) Prova disso é que pesquisando fotos para ilustrar esse texto encontrei  escritos que explicam o que é “campo de concentração”, local onde os retirantes ficavam. Local onde uma conversa mudou os rumos dos sentimentos de Conceição...


Conceição sente-se realizada ao criar Duquinha, o afilhado que lhe doaram Chico Bento e Cordulina. É uma realização íntima, preenchendo o vazio da decepção amorosa.

sábado, 7 de abril de 2012

Une

Quer (s)ler o seu futuro. Mergulhar no seu passado. Por enquanto, entro na complexidade do seu mundo. Redescubro o meu. Vejo que meus problemas, minhas neuras, meus defeitos estão bem acompanhados. Às vezes me envergonho. São tão pequenos diante das suas angústias e inquietações. É tudo isso que nos une.

Aí você transforma a dor em palavras. Apenas.

Daqui a pouco será domingo e os livros estão bagunçados. A cama também. Há ainda algo a ser feito, refeito. Uma convicção - mais negação do que convicção - a ser reeditada. Esmagada contra o peito e absorvida em meio ao silêncio e à perplexidade. Em meio às sensações que não quero sentir. Redescobrir. Reviver.

sexta-feira, 30 de março de 2012

"Com o amor que eu um dia deixei pra você"



Futuros Amantes
Chico Buarque


Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você