sábado, 30 de junho de 2012

Palavra morta-viva


"E são tantas marcas/  Que já fazem parte/   Do que eu sou agora/  Mas ainda sei me virar"


Desenho a palavra morta-viva. Brotou no meu peito há anos. Perpassa minha existência. Redesenha meus caminhos. Uma, duas, três vezes, talvez. Quatro se conseguir conceituá-la a contento. No entanto, esse conceito é abstrato. Depende do papel que represento, assumo. 

Palavra impiedosamente desferida contra minhas costas ou aconchegada em meu peito, com gosto de exceção, de carinho adiado e, finalmente, concretizado? Vítima agonizante de caminhos nunca antes desvandados ou força motriz de relações doentes e inalcançáveis? 

Ah, palavra-morta viva! Você entrou de vez na roda. Quero extirpá-la.

Goiânia, 26 de junho, 10h25.

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E eu nem me lembrava qual a data de hoje. Quem diria. Seria nosso aniversário.

sábado, 23 de junho de 2012

A beleza do inútil

Oi, leitor@s

O último post já completou mais de um mês. Nesse período de silêncio, pelo menos aqui no Palavras, muita coisa mudou. Até meu  local de trabalho. E teve até uma ida rápida a São Luis, no Maranhão. Enfim, novos desafios, novas pessoas, novas perspectivas. 

Calma! Não se anime... Velhos problemas continuam. Apesar disso, velhas "manias" foram extirpadas. Para o meu bem, creio. Ressignificar é preciso. Ressignificar as relações, imprescindível. 


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É noite de sábado e eu releio o livro Ciranda de Pedra, de Lígia Fagundes Telles. Algumas páginas já ganharam o colorido rosa de um marca texto. A seguir, destaco um desses trechos:

 
"Ouça, Virgínia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A  distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas (...) Aquela estrelinha que está nascendo ali... está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros perdidos... Não faz nada. Apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a Beleza. No inútil também está Deus."

(Ciranda de Pedra, Lygia Fagundes Telles, pag. 135)



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Até o próximo post