quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Recomeçar


Estou ali, onde você me deixou.
Invejo, por vezes, os que enfrentam dilemas fúteis, mas reconheço que os meus, perto das dores alheias, não passam de pequenas gotas de sofrimento, angústia e solidão.
Está tudo bem, está tudo bem, eu repito, como um mantra. 
Estou ótima, reforço. 
Ficará tudo bem, concluo.
Vamos recomeçar? Me entrego à proposta. Vamos.  

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Palavras para ele

A filha dele não terá avó, mas dessa senhora certamente herdará o gosto por Chico. O gosto que ele aprendeu e, sem querer querendo, me ensinou. Uma canção de Chico talvez seja trilha de uma noite solitária da menina que acabou de nascer. Noite solitária como a minha. Estaremos dentro da mesma solidão? Longe, perto? O longe não existe. Sufocado para sempre. Porque hoje nem sei mais qual é o tempo dele. Fui lançada à solidão.


sábado, 4 de agosto de 2012

A semana

Começou no sábado a última semana. Dia de encontros. De história. De vida revirada, revivida. Atípica semana: de mudanças por dentro, nem tanto por fora, mas de resultados, reações, resoluções, enfim, do inesperado.


Ontem, sexta-feira, o fim da semana que começou no sábado, fui a igreja. Congregar. Era culto das crianças e foi bom vê-las cantando, se divertindo.  O filho do pastor entoou os hinos da harpa, logo no início da celebração. Os arredondados olhos negros ficaram ainda maiores enquanto ele cantava.


O garotinho, que deve ter seis ou sete anos, olhava com uma cara assustada aquelas crianças com as quais ele sempre brinca, briga, estuda, enfim, se diverte. São amigos. Mas naquele momento não eram mais. As crianças - maioria no templo - não eram os amiguinhos de uma farra infantil. Eram a plateia. Ele, o cantor. Um erro qualquer seria a senha para julgamentos. E os olhinhos assustados percorriam os ilustres desconhecidos.


Nessa semana, me senti como o garotinho. E eu, com meus olhos assustados, observo tudo como se não reconhecesse minha própria história. Tudo errado e fora do lugar. O que antes parecia certo e sólido caiu por terra em um lance. As posições se inverteram.  Me perdi. Sou (a) outra. O passado foi ressignificado. O que será do meu futuro?


Who's gonna pay attention, to your dreams? And who's gonna plug their ears,
when you scream?