segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Antes que o dia termine... Música!

Então o JPS resolveu transformar Bendito dia em música.
Eu não me opus. Mas, confesso, até havia esquecido.
E não é que ele cumpriu a promessa!?
Obrigada, querido!
Ouça! :-)
video


P.s.: Em breve, um vídeo mais produzidinho ;)


A vida que ninguém vê

 
Na última semana, em Goiânia, o Estado passou a ver a vida que ninguém vê. Explico: desde agosto, 15 pessoas em situação de rua foram mortas a pedradas, pauladas e tiros. Até então, nada havia sido feito. Quando escrevo "nada" me refiro a ações que vão muito além de isolar a cena do crime, coletar provas e instaurar um inquérito.
 
Na véspera do Natal, porém, a 15ª morte fez o Estado convocar três reuniões em apenas uma semana para tratar da questão. Demorou. E muito. O assunto é complexo e acompanhar uma das reuniões me ajudou a dimensionar isso.
 
Antes, havia conversado com alguns moradores de rua. Medo é o sentimento dominante. Publico abaixo a história de dois deles, Pedro e Ana (os nomes são fictícios), com quem conversei no fim de tarde de uma terça-feira. (Sim, lembrei desse texto aqui).
 
A matéria completa pode ser lida aqui.
 
 
“Não vou apanhar, nem levar um tiro na cabeça”
 

Os pés sujos e enrugados fazem Pedro ostentar bem mais do que os 29 anos que ele diz ter. O olhar sem rumo e a boca com um sorriso desfeito – há falhas e os dentes que sobraram estão mal conservados – denunciam o abandono e a precariedade das condições de vida. As mãos seguram uma caixa de fósforos e deixam cair um cachimbo reluzente que ele esconde no abrigo que criou em torno de si usando um cobertor.

 
É fim de tarde de uma terça-feira. Ele perambula com Ana (22), sua companheira, pela Praça da Matriz, em Campinas. No mesmo espaço, uma avó e seus dois netos aguardam o pipoqueiro terminar de encher os saquinhos com suas encomendas. Senhoras confortavelmente instaladas nos bancos assistem o cair do dia. Na igreja, alguns fieis rezam para o santo de devoção.
 
 
Foto: Paulo José/Tribuna do Planalto
 
Há quatro anos, quando a droga os empurrou para as ruas da capital, se conheceram. Pedro conta que veio de São Paulo para trabalhar, mas é reticente ao dizer com o que se ocupava. Ana já morava em Goiânia. A família dela também vive na capital: a avó na Fama e a mãe no Urias Magalhães. Antes de conhecer Pedro, Ana já era mãe de dois filhos, hoje com oito e cinco anos. A caçula, filha do atual esposo, tem dois anos e vive com a avó materna.

 
“É só eu ligar e eles trazem ela aqui. Quase toda semana vou para casa da minha vó tomar banho (sic)”, descreve a jovem, que também traz um cobertor enrolado ao corpo. Apesar da gravidez precoce, ela diz que só passou a viver nas ruas depois de se viciar em cocaína. Depois veio a merla. E depois veio qualquer coisa que a deixe “doida”, como descreve.

 
Medo

 
Para comprar a droga, pedem dinheiro nos sinaleiros. O montante também seria destinado para a compra de alimentos e de bebidas, como refrigerantes. Parece não ser suficiente. “Ou, me dá um pouquinho dessa coca, moça (sic)”,pede Ana, ao ver uma jovem passar pela praça com um sanduíche e um refrigerante nas mãos. A voz rouca não prendeu a atenção da pedestre, que seguiu seu caminho sem olhar para o lado. É a vida que quase ninguém vê e a fome que poucos se arriscam a matar.
 
 
Durante a noite, Pedro e Ana se dedicam a uma vigília salvadora. “Dormir a noite? Durmo não. De jeito nenhum”,resume Pedro. O medo também é compartilhado por Ana. “Tô sempre acordada. Se tentarem me matar eu mato eles de canseira (sic)”,assegura, em um misto de confiança e galhofa. Pedro explica que eles só dormem à luz do dia e “onde a sociedade está passando 48 horas por dia (sic).” Ou seja, próximo a locais com grande movimento, como as lojas. “Tendo gente 'tamo' seguros: não vou apanhar, não vou tomar um tiro na cabeça (sic)”, ressalta.


O dia final

É. Em poucas horas 2012 será passado.
Nos últimos dias - até pela ausência de conexão com a internet - pude refletir bastante e organizar algumas coisas.
Foi bom. Muito bom. Devorei dois livros, praticamente.
Vivi e ponto.
É isso: viver.
Fico feliz por ter, nesse espaço, momentos tão importantes registrados em códigos que só eu sei a chave para decifrar.
É bom. Reconfortante.
Então...
Feliz 2013!
Vamos viver! :)

domingo, 23 de dezembro de 2012

Feliz Natal, querido


Os 21 dela - que mais parecem 25 - enganam, despretensiosamente, os 32 dele.
"A culpa não é minha", responde, em tom submisso.
Pedia perdão, como de costume, por um desengano que não havia sido atribuído a ela.
Ele é que se desculpou.
Havia exagerado nos pedidos, na intimidade, nas exigências por uma decisão.
Nada propunha, mas a tudo estava disposto.
"Você é o mais legal", amaciava o ego dele, na tentativa desesperada por mais um naco de tempo.
Precisava pensar. Deseja decidir.
Afinal, o tempo deles era diferente.
Se conheceram em um outubro qualquer de um ano para esquecer.
Ele não ostentava nada no dedo anelar esquerdo. Mas o compromisso estava lá.
Ela era só uma criança com uma aliança prata fantasiando o anelar direito.
Menina boba. Não havia compromisso algum ali.
"Você não é uma criança boba...", consolava, fraternalmente.
"É apenas uma menina que está crescendo... amadurecendo... e procurando saber o que deseja da vida", completava.
Vertia lágrimas naqueles olhos que se acostumaram com a distância entre eles.
Estava certo.
Profecia cumprida.
Tempo.
Exceção.
Silêncio.
Hoje, na madrugada do Natal, solitária e sem anéis alheios – agora só ostenta os comprados por ela – lembrou-se dele.
Só queria desejar um Feliz Natal.
Mas terá que ser assim: distante.
Feliz Natal, querido. Para você, para elas.


P.s.: Para você, que eu admiro.
24/12/2012
02h22

Quem inventou o amor?

 
 
“Eu queria ser uma ave aninhada nos fartos cabelos dela. Andar de mãos dadas. Eu queria retê-la, nem que fosse para ela disparar aqueles sorrisos enigmáticos que me aturdiam. Eu queria me declarar. Declarar o quê?”.
(Diga toda a verdade — em modo oblíquo, Carmen L. Oliveira, Rocco, 176 págs.)
 
 
 
***
 
Trecho extraído da resenha "Quem inventou o amor?", de Vilma Costa, publicada na edição de dezembro do jornal Rascunho. O texto completo pode ser lido aqui.
Vale a pena... ;-)
 

O que é a felicidade?




Aproveitar o dia com aquilo que te faz bem! ;-)

sábado, 22 de dezembro de 2012

Carta para o "nunca"

Goiânia, sábado, 08 de dezembro de 2012
 
Olá, querido "nunca"
 
Duramente, há pouco mais de um mês, você me destroçou.
Foi em uma tarde de sábado, como hoje.
Depois de uma semana atormentada pelas dores físicas, consequência dos nossos desencontros e reticicências, a definição adiada há quase dois anos chegou.
Sutil!? Não. Nem um pouco.
A maturidade objetiva requerida nos últimos tempos foi despejada sobre mim aos moldes dos tufões e tempestades que arrasam cidades inteiras.
Destruída fiquei.
"Meu mundo caiu", cantava Maysa, a rainha da fossa, enquanto meus olhos perdidos buscavam algum consolo.
Eles encontraram amizade. Um lindo amigo, aliás. Mais do que perdidos, estão famintos.
Até do passado - que enterrado estava - foram obrigados a se recordar.
Saudade, fome, desejo.
Agora, eles seguem buscando ver cada cor segundo a sua verdadeira tonalidade.
Mesmo com tanta dor e agonia, obrigada, querido "nunca".
A vingança em curso está.
Seremos felizes. Eu, você e mais alguém.
 
Com carinho,
Kuma Chan

Minha promessa


"Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa" porque não quero que tudo isso pareça especial. Não é que não seja. Até é. Só não quero carregar as tintas. Quero, sim, dar uma cor adequada para cada amizade, para cada amor. Para cada dia em que um "olá" é mais do que uma saudação. É bálsamo, alegria, reciprocidade. Sem ciúmes, brigas, desentendimentos. Sem qualquer sentimento mesquinho que rasgue ou manche nossa história. Dimensionar cada "você" é preciso.
 
 
 
 
 
Goiânia, 08 de dezembro de 2012, sábado
 

Minha vingança

Em silêncio, gestei minha vingança.
Não foi díficil, admito. (Até me surpreendi!)
Agora, silêncio e vingança se confundem.
Um é o outro e o outro é o um.
Difícil é manter o "outro" e o "um".
Complicado é barrar o desejo.
Difícil talvez seja deixar tudo como está
E, assim, enterrar toda nossa história.

Goiânia, 08 de dezembro de 2012, sábado

Maturidade




Talvez falte a você, meu bom rapaz, a maturidade objetiva dos 30.
Acalme-se, querido.
Daqui a cinco ou seis anos você chegará lá...
Chegaremos (a)onde?


Goiânia, 16 de abril de 2012
P.s.: Hoje, mais do que nunca, não sei a resposta para a pergunta do verso final. ;-(

Cadernos





Põe meu nome em teu caderno.
Faça dele prosas, poesias e rimas.
Sonetos e haikais.
Faça dele inspiração para os teus escritos.
Doce regalo para tuas madrugadas.
Paz para as tuas inquietações.
Mas como, se meu nome é tão pequeno e seco, sem a delicadeza saltitante dos "as"?
Mas como, se nossos cadernos permanecem cerrados e a dor e a angústia adornam suas páginas?
Façamos de tudo isso aproximação.


P.s.: Para você, que eu amo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Goiás, o cenário para a arte maior de Niemeyer




O mundo perde o homem que fez da arquitetura uma (re)invenção constante, e, por isso, desenhou com traçado firme seu nome na história. 


Foi nas terras cedidas por Goiás à União que o maior artista da história do País e gênio universal Oscar Nie­meyer ergueu a sua maior obra: as construções que tra­n­sformaram Brasília Patri­mônio Cul­tural da Huma­nidade. A 10 dias de completar 105 anos, o arquiteto partiu. Era fim de noite do dia 5 de dezembro, uma quarta-feira, e o corpo centenário não resistiu à insuficiência respiratória. 

O mundo perde o homem que fez da arquitetura uma (re)invenção constante, e, por isso, desenhou com traçado firme seu nome na história. Imprimiu sua marca em diversos cantos do país e de outras nações: “Se você tem que vencer um espaço grande, a curva é a solução natural que o concreto armado pede. E o mundo é cheio de curvas”, justificou, em entrevista concedida à repórter Isabel Murrey, da BBC Brasil, em 2001.

Brasília, incrustada em um naco de Goiás, no Planalto Central, é o seu projeto mais conhecido, fruto de uma parceria com o então presidente Juscelino Kubitschek. Eles já haviam trabalhado juntos em 1938, na Pampulha, conjunto arquitetônico de Belo Ho­ri­zonte. Lá, enquanto Ku­bitschek realizava o primeiro tra­balho como homem público, Niemeyer debutava como arquiteto. “Na Pampulha, comecei essa arquitetura que mais me agrada, mais livre, mais ligada à curva, mais emocional, procurando a invenção arquitetônica”, relembrou. 

As técnicas fizeram sucesso e, mais tarde, foram usadas na construção da capital federal, erguida em apenas três anos. Tempos de solidão para o arquiteto, que trabalhava em condições precárias e vivia em barracões de zinco. Ganhava “salário de funcionário” e amargou prejuízos financeiros com a empreitada, depois de fechar seu escritório para se dedicar ao novo projeto. 

Kubitschek bem que tentou ajudar: ligou para Niemeyer sugerindo que ele passasse a trabalhar pela tabela do Instituto de Arquitetos.  “Não, não faço. Sou funcionário, não faço trabalho que não seja o que tenho que fazer aí mesmo”, respondeu Niemeyer do outro lado da linha. “E esse foi o clima sob o qual Brasília foi feita - de muito entusiasmo, de muito desinteresse por dinheiro”, resumiu, em entrevista à BBC.

“Fui a Goiânia e vi”

Em 2001, 41 anos depois da construção de Brasília, Niemeyer relembrou que o grande sonho de Kubitschek era fazer da nova cidade um catalizador para o desenvolvimento para região.  “Outro dia fui a Goiânia e vi. Essa cidade durante a construção de Bra­sília era um arrabalde, uma cidadezinha qualquer, hoje é uma cidade grande, com progresso, prédios grandes, parques, cinema, tudo. É que a ideia de levar o progresso para o interior realmente se realizou”, elogiou.

A marca do progresso trazido por Brasília não é a única herança do poeta das curvas para a capital de Goiás. Por aqui, o traçado característico de Niemeyer pode ser conferido no Centro Cultural que leva seu nome, inaugurado em 2006. O desenho é simples: quatro volumes com formas e usos distintos, sobre uma esplanada retangular. A ideia para a obra surgiu em 1999 e o projeto inicial era criar o Monumento aos Direitos Humanos.

Segundo relata o arquiteto Marcílio Lemos, em entrevista ao site do Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON) ele foi ao escritório de arquitetura de Niemeyer, no Rio de Janeiro, e disse, de forma enfática: “Vim cobrar o aluguel das terras onde o senhor construiu Brasília!”. O arquiteto logo percebeu que se tratava de uma brincadeira e passou a ouvir a encomenda que, pouco antes da viagem ao Rio, já se ampliara para um centro cultural.

“A vida é mais importante do que a arquitetura”

Para os mais jovens, talvez Niemeyer seja o centenário que resistiu ao tempo e povoou as redes sociais com postagens galhofeiras relacionadas à sua idade. O arquiteto era espécie de Highlander à brasileira. Inquebrável. Mesmo depois de internações seguidas, ele sempre voltava para casa, preocupado em retomar os trabalhos. De certa maneira, o poeta das curvas ainda é um “guerreiro imortal”. 

Como poucos, conseguiu estabelecer entre cultura, política e arte um forte laço existencial. Comunista “desde que na­s­ceu”, pregava a valorização do homem. Para ele, a arquitetura que o consagrou em todo o mundo nada representava diante da vida, que, ao mesmo tempo “é um sopro, um minuto. A gente, nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado”, definiu, em entrevista à BBC Brasil. 

Também não dava menor importância ao dinheiro, como demonstrou durante a construção de Brasília. Na quinta-feira, 06, o Governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz,  de­cretou sete dias de luto oficial. A presidenta Dilma Rousseff repetiu o gesto. Em vi­da, porém, Niemeyer rejeitou ser lembrado apenas como o  construtor da capital federal. Seu desejo era ser recordado “como um ser humano que passou pela Terra como todos os outros - que nasceu, viveu, amou, brincou, morreu, pronto, acabou!” Assim seja!


Texto publicado originalmente aqui


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Pequenas mentiras


É o fim de uma era
Desconfortável posição
Sons que não encantam
Vozes que já não comovem
Sorrisos que não cativam
Presença reticente
Invisível, sou arremedo de mim

Eu, apenas

O coração reclama uma razão para prosseguir.
Eu, apenas eu.
Sendo o que sempre fui, mas nunca percebi.
Respondendo as perguntas que norteiam a vida.
Redesenhando o futuro

Juventude


O hálito fresco da juventude bate à minha porta.

Quatro” é o signo da nossa diferença.

Mas não é o único.

Por enquanto, porém, é o mais forte.

O que impõe a distância.

Emudece e abrevia as ligações.

Planejo o futuro para daqui a duas semanas.

Regalos, navidad, nuestras vidas...


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O encontro

Querido, tento descobrir as razões para nosso encontro. Hoje, depois de um dia tão ruim para nós, começo a perceber que os fatos se encaixam. Reciprocidades são compartilhadas, cuidados mútuos são desejados e prometidos. Até as dores e os medos são os mesmos! Gosto de você, meu querido! Nos gostamos, meu lindo amigo!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Histeria


Aqui, há um choro engasgado.
Há palavras que precisam ser ditas, gritadas, repetidas, escancaradas histericamente.
No entanto, concretamente, apenas sussurro: “não aguento mais”.
Decisão está tomada. 


"Tomo um café para ver se esqueço"


 
 


 
 
Café aplaca a depressão.

Ativa o cérebro, os pensamentos.

Amplia as distâncias.

Revela faces e fases.

Se faz presente. Onipresente.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Bendito dia

Meu bom rapaz, não sou mulher de eternidades prometer.
Há tempos isso no passado ficou.
Mas o empenho do nosso futuro feito está.
Promessa acordada, termos assinados.
Bendito dia aquele do nosso encontro.
Benditos sejam todos os dias que, mesmos distantes, juntos estamos.
Juntos e nós mesmos, apenas.
É o que basta!
Perpetue, reciprocidade bendita!