domingo, 24 de fevereiro de 2013

Mudança

 
 
 
Últimos dias de um ciclo que começou há pouco mais de cinco anos. É meu último domingo aqui. Amanhã será a última segunda-feira de uma rotina que se repete há meses.
 
Deixo para trás igrejas, crenças heterogêneas, (poucos) amigos, muitos conhecidos, (alguns) desafetos. O primeiro namorado, a (primeira?) grande decepção, a faculdade, o sonho, a realização.
 
Goiânia, minha linda Goiânia! Eu amo você! Vou conhecer mais um pedacinho dessa cidade que me acolheu, que me transformou...
 
Amadurecimento! É. Mais uma etapa rumo a tudo aquilo que eu devo ser.
 
Senhor, cubra-me!
 
 

Amor natimorto





Os lábios tremem...
Uma lágrima já ameaça cair...
Esqueça!

Isolar-se em um canto, surfando na mais profunda depressão, não vai resolver.
Esconder-se, fugindo dos olhares e das perguntas, também não...
Enfie a cara em um livro qualquer para esquecer os planos desenhados.

Enterre o futuro que não mais será...
Vendaval.
Tudo se desfaz.
As ruínas amontoam ao seu redor. 
Você sabia que o fim dessa história seria parecido com o de uma outra...
Amor natimorto.


Goiânia, 23 de fevereiro de 2013, 23h13

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

I don't wanna lose you. Perdi.


 
"Tell me you're real/ You're not pretending/ Let's make a deal/ 'Cause my heart's depending on you"

"A mão que afaga é a mesma que apedreja"

Versos Íntimos
Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
... Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija


P.s.: Encontros inesperados fazem ressurgir preciosidades como essa.

"É preciso ser de vez em quando infeliz"

Seu eu pudesse
Alberto Caieiro (Fernando Pessoa)


Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se,
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

 
 
P.s.: Descobri esse poema aqui. Já havia lido sobre a morte da Stefany, colega do Correio Braziliense, mas o relato de alguém tão próximo me ajudou a dar novas nuances ao que ocorreu, nos últimos dias, na minha própria família e também com uma pessoa tão jovem.



sábado, 9 de fevereiro de 2013

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Impotência


Lágrimas secadas pelas palavras amigas de quem me ama.
Soluços e gemidos que despertam a compaixão daquela que me gerou.
Injustiça que me sufoca.
Revolta os mais próximos.
Exalta ânimos.
Situação que nos torna meros humanos impotentes.
No fim, a promessa de que tudo isso não mais se repetirá.
Sigo meu caminho clamando, mesmo em silêncio, por Justiça.