quinta-feira, 28 de março de 2013

E continuar aquela conversa...

 
 
 
Duas conversas interrompidas. Duas "histórias inacabadas" pelo fim de uma vida. As respostas que eu jamais terei. Ah, como dói!
 
 

Dor infinda

Tenho tentado escrever sobre tudo que aconteceu.
 
Mas só depois de viver uma semana em fuga, tentando esquecer, ao menos em horário comercial, que ele está morto, que ele se foi de um jeito cruel e inesperado, que eu nada posso fazer e que só restam perguntas, saudade e muita dor...
 
Nunca imaginei que as coisas fossem terminar assim. Entre um momento e outro, naquele salão usado para festas que abrigou seu velório, remoía a frase: "podia ter feito qualquer papel na vida dele - qualquer papel MESMO - mas nunca imaginei estar aqui, organizando um velório".
 
Naquele salão de festas que um dia, ele com oito anos, eu com cinco, nos sentamos naquelas  mesmas cadeiras que serviram como assento para os que vieram vê-lo morto, para comemorar minha formatura na pré-escola. 
 
Ele tão lindo, lindo, lindo, como sempre foi e como eu sempre achei, sentado com seu terninho preto e um presente nas mãos. Uma boneca Barbie. A única que tive e o presente que me fez ter um sentimento especial pela mãe dele. Sempre a imaginei escolhendo, com muito carinho, aquela boneca.
 
Filho único que se foi. Primo único - meu amor de infância e adolescência - que nunca mais vou sentir. O calor que já não era - e nunca mais será - meu. As mãos digitam esse texto rapidamente, como se quisessem acompanhar a profusão de ideias em minha mente. As lágrimas ameaçam cair. Mamãe me chama para o almoço. Já, já vamos ao médico. É hora de partir.
 

terça-feira, 26 de março de 2013

Feliz aniversário, querido

Hoje, há três anos, seria um dia mais do que especial.
Seria o seu dia.
Dia d'eu (de)mo(n)strar o quanto você, até então, era por mim amado.
Dia de quebrar qualquer dureza do meu coração e, docemente, em palavras - com ou sem rimas - contar o quanto eu adorava  me aconchegar em seu peito, me esconder em seus braços e ouvir seu coração pulsar (cada vez mais) a medida em que ficávamos mais pertinho.
Ah! O diminutivo! Não foi com você, querido, que aprendi a usar...
Hoje, três anos depois, não deveria ser um dia especial.
Mas, nos últimos dias, só consigo pensar neste dia.
Não devo, não posso, não tenho direito e, o mais intrigante, não desejo mais estar em seus braços, aconchegada em seu peito e, tampouco, escutar seu coração pulsar.
Quero braços e abraços, mas não os seus.
Quero sorriso, mas não em seus lábios.
Quero Amor e não mais um sofrido aMOR.
Doeu tanto, você nem imagina.
As cicatrizes estão aqui, apesar de já não tão evidentes.
Só eu sei...
Ah, querido!
O feliz aniversário será assim: sem você saber que a sua felicidade, apesar de tudo e todos(as), eu ainda desejo.
Você nem merecia meus versos, nem merecia espaço nesse lugar quase sagrado.
Mas você sabe que sou teimosa...

domingo, 17 de março de 2013

Luto II


E eu... gostava tanto de você!

Ele tinha mãos quentes e fortes.
Ele morreu.
As mãos estão duras e frias.

03 de março de 2013
20h47, em Marzagão, Goiás