domingo, 21 de abril de 2013

Who's gonna drive you home, tonight?


Who's gonna hang it up, When you call?

Sobre o "nós" que não mais será

Escrevi essa breve reflexão em dezembro, mas ela nunca foi tão válida.
Da série Vale a pena postar de novo, especialmente para você, que diz me amar.


"Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa" porque não quero que tudo isso pareça especial. Não é que não seja. Até é. Só não quero carregar as tintas. Quero, sim, dar uma cor adequada para cada amizade, para cada amor. Para cada dia em que um "olá" é mais do que uma saudação. É bálsamo, alegria, reciprocidade. Sem ciúmes, brigas, desentendimentos. Sem qualquer sentimento mesquinho que rasgue ou manche nossa história. Dimensionar cada "você" é preciso.


O post original, com links e música, pode ser lido aqui.

sábado, 20 de abril de 2013

Palavras, apenas

 
 
 


"Você empreendeu uma viagem estranha pelas dunas da inconsciência. Para que tantas palavras se você não pode me ouvir? Para que estas páginas que talvez não leia nunca? Minha vida se faz ao ser contada e minha memória se fixa com a escrita; o que não ponho em palavras, no papel, o tempo apaga."



 

Casa dos (quase) mortos II

Crianças - tão crianças - ocupam o fim do corredor.
Agarram seus pais, mas querem mesmo a fada cor de rosa.
Fada disfarçada de borboleta.
Moça saltitante.
Rosto colorido, disposição imensa para distribuir sorrisos.
Eternizá-los nas fotos instantâneas.
Parecem felizes.
Do lado de cá, apenas uma vontade imensa de dormir.

Casa dos (quase) mortos

Caixas se acumulam sobre os armários.
Lado a lado, guardam relatórios dos (quase) mortos.
A recepcionista acaricia a testa, distraída.
Penso no bem que ele me faz.
No quanto me faz sentir assim: especial.
Sorrio.
Lembro dos nossos abraços.
Uma lágrima ameaça cair.
Leio Paula, de Isabel Allende.
Mamãe chega empunhando sua receita médica, a vitória dessa conturbada manhã de sábado.
Preciso partir.  

20 de abril de 2013, 11h05

sábado, 13 de abril de 2013

Cor e luz

Você me arranca sorrisos genuínos, ele disse.
Ela sorriu.
Dela, ele também arrancava sorrisos.
Você é cor e luz para minha vida, ela confessou.
Estava tudo escuro demais quando ele chegou.
Foi de repente.
Eram tantos outros e tantas histórias.
Histórias inacabadas, emperradas, guardadas, escondidas, interrompidas.
Começaram assim: do nada.
Continuam assim: sem nada além do amor, da amizade, das cores e das luzes recíprocas...
 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Verdade


Você diz que deseja fazer dos seus braços meu abrigo.
Mas eu tenho 22.
Formei.
Trabalho.
O que importa?
... é tudo que preciso.

Goiânia, 10 de abril, 01h40

domingo, 7 de abril de 2013

Amanhã, abraços e sorrisos

Pensei em falar sobre minha solidão.
Apresentar meus medos.
Mas o aconchego da sua companhia dispensou apresentações.
Só quero um abraço.
Amanhã, abraços e sorrisos.
Combinado!

Chávez e os primos




Quando soube da morte do presidente venezuelano Hugo Chávez, pensei nas filhas dele.
Naquelas meninas que passaram dias e dias ao lado do pai, no hospital.
Foram para Cuba. Leram jornal. 
Terça-feira, 09, faz dois meses que meu primo Alexandre morreu.
Era sábado de Carnaval.
Como Chávez, ele perdeu a luta para o câncer.
Lembro da esposa do primo.
Do casamento que ele não pode viver plenamente.
Dos filhos que ele não gerará.
Da Fernanda, que, nessa vida, perdeu mais do que deveria.
Da Vanessa e da sua força naquele velório que foi palco de uma dupla despedida.
Recordo o abraço no outro primo querido.
O último dia que nos vimos.
Ele à véspera da morte, eu tentando (re)construir minha vida.
Os braços dele que serviram de consolo, mais uma vez.
As palavras que eu não falei.
A conversa que não tivemos.
Falhei.
Suicídio.
E a dor, que já era insuportável, se repetiu.
Hoje, lembrei de Chávez novamente.


"Da porta sai uma senhora que chora. Os dois se abraçam. Ela soluça ainda mais. É dona Elena Chávez, a mãe de Hugo Chávez. Outro filho dela, Adán Chávez, governador do Estado de Barinas, se aproxima. Os três desaparecem por 30 minutos. Na volta, Maduro assume novamente a direção do veículo. "Ainda dói para ela, ainda mais quando nos vê. Todas as lembranças do filho voltam, é duro demais", diz ele sobre dona Elena."

Eu sinto sua dor, dona Elena.

(Os grifos são da blogueira e o texto completo, da jornalista Mônica Bergamo, Folha de São Paulo, pode ser lido aqui.)

Eu falhei

Faz dois meses que o vi com vida.
Última vez.
Eu falhei há dois meses.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Certidão de óbito


00h32
03 de abril de 2013
 
É estranho passar parte dessa madrugada acordada.
É inevitável relembrar os acontecimentos que despencaram sobre minha vida e desarranjaram meus sentimentos há exato um mês.
É egoísmo pensar só em meus sentimentos.
Vamos trocar a primeira pessoa do singular pela do plural.
"Eus" que viram "nossos".
Os olhos da Carla vertendo lágrimas, vidrados naquele caixão durante toda madrugada.
Os abraços desesperados da Marli, ao me encontrar.
O silêncio dolorido do Divino, ao chegar da funerária.
A ausência física e a presença sentimental da Orzília.
O soco no meu estômago ao saber que ele estava morto. Morto (!).
A ficha que ainda não caiu.
A dor que não vai passar.
A dor de quem esperou que ele nascesse - filho único, filho amado, primo querido - o viu crescer e assistiu sua precoce partida.
Por que você se foi, querido?

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Futuro rosto







Meu anel solitário comprado a R$ 4,99 está ficando preto. 
Bijuteria. Destino mais do que escrito. 
Comprei um igual no fim do ano passado. 
O adorno me acompanhou em um insólito dezembro/janeiro. 
Virou, de certa forma, marca registrada. 
Não queria perdê-la. 
Mas perdi esse anel há quase um mês, depois de enterrar o primo.  
Precisei comprar um novo. 
Comprei um igual, mas o processo sofrido por ele, agora, é diferente. 
O outro ganhou um tom cobre. Este está ficando preto.
Parece o primo em seu caixão.
Com o passar das horas, a pele morena clara foi escurecendo.
Pânico.
Quando fui para casa, já de madrugada, aquilo me atormentava.
Sonhei com ele.
Mamãe me acordou dizendo que ele estava com "preto como um carvão".
Tive medo, mas não acreditei. 
Tive medo de vê-lo de novo, apesar de querer tocá-lo um pouco mais. 
Como quando ele feriu o rosto em um rodeio.
Não queria ver a cicatriz, os pontos.
Cicatriz que beijei e acaricie há quase um mês.  
Queria tocá-lo agora.
Queria que ele voltasse e, com aquele sorriso bonito, dissesse: 
"Rá! Era pegadinha. Eu não morri."
Ele não estava tão escuro. Só mais moreno.
No cemitério, às 10h, quando o caixão foi aberto para a despedida final, o sol acentuou a funérea morenice.  
Nunca vou esquecer.
Mas não vou poder ver o rosto dele envelhecendo.
O futuro rosto congelou aos 24.
Para as filhas, ele sempre será aquele rapaz jovem, forte, que escolheu (escolheu?) não mais viver.
Hoje, vindo para o jornal, enquanto esperava o fluxo de carros da Castelo Branco me dar passagem, vi um rapaz com mais de 30... 
Aquele nariz, aquelas sobrancelhas eram do primo. 
Nos olhamos. Ele não entendeu a minha mirada. Nunca entenderá. 
Vi o que o poderia ser o futuro rosto.