domingo, 30 de junho de 2013

Sete

Agora é lei: nada de amor unilateral nem esperança de palavras que nunca serão ditas.

Quando o suicído chega a nossa casa

 
Há quatro meses, no começo de uma ma­nhã de domingo, recebi a ligação de uma tia materna. Do outro lado da linha, ela parecia não acreditar nas próprias palavras: um dos seus sobrinhos, meu primo, havia se matado. Filho único, 24 anos, ele morava no interior de Goiás com a esposa e as duas fi­lhas, uma de quatro anos e outra de apenas dois. Era duplamente peão – em um frigorífico e nos rodeios, sua grande paixão.


Sorriso bonito no rosto, desde sempre me acostumei com sua fala galhofeira, sua defesa incondicional a meu favor, durante as brigas com outras primas, e com suas aventuras nas montarias: dos treinos às competições oficiais. Há alguns anos, chegou a se machucar, mas nada muito grave. Pensei, ao atender o telefone, que, novamente, se tratava de uma queda e de um ferimento que necessitaria de alguns cuidados.
 

Não acreditei e, mais de 120 dias depois, ainda não acredito que ele partiu. Por que ele partiu!? Por que ele fez da camisa que vestia arma contra o próprio corpo!? Vivo sua morte intensamente: do momento em que fui informada, passando pelo velório, que ajudei a organizar na pacata Marzagão, no sul de Goiás, até o sofrimento por ver sua filha mais velha contar aos conhecidos que ele estava apenas dormindo e que logo acordaria.
 

Os últimos meses têm sido de um luto velado, solitário e quase silencioso, não só para mim, mas para toda a família, já tão abalada por outra partida precoce. Vinte dois dias antes, outro primo havia falecido, aos 21 anos, vítima de um câncer devastador.  Agora, a morte me acossa por todos os lados. Dentro de mim, inclusive. Como quando soube do suicídio do jornalista Eduardo Hiroshi, 35, editor do caderno “Máquina” do jornal Agora São Paulo.


Em uma segunda-feira de maio, após uma manhã de trabalho no Grupo Folha, ele retornou a sua casa, no horário do almoço, e pôs fim aos seus dias pulando da sacada do apartamento. “Se não deu, é porque a vida nos reservava outros planos. Parto para outra e não sei o que vou encontrar”, escreveu, em uma breve carta de adeus.


Logo eu que há poucos dias havia produzido, para esta Tribuna, reportagem sobre luto e perdas inesperadas. Logo eu que, meses antes, havia participado de uma palestra sobre suicídio e conhecido, em detalhes, as dificuldades para prevenir a chamada morte autoinfligida. Mas o suicídio chegou a minha casa. Agora, sofro os reflexos de um episódio que poderia ter sido evitado.


Segundo estudo realizado pela Unicamp, 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso. Para a Orga­nização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional.
 

A primeira medida preventiva é a educação. Tabu entre a maioria das religiões, o assunto precisa ser debatido e informações sobre o tema, compartilhadas. Mas na luta contra esse inimigo silencioso, ainda fracassamos muito. Fracassamos quando alguém decide morrer porque não consegue enxergar uma saída para seus dilemas. Fracassamos quando negamos atenção, cuidado ou alguns minutos de conversa que podem ser decisivos para apontar perspectivas a um coração desesperançado.


Fracassamos 26 vezes ao longo das 24 horas, segundo estimativas do Datasus, banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS): esse é o número de pessoas que tiram a própria vida em um dia. Faltam políticas públicas, qualificação para profissionais de saúde e sensibilidade para uma sociedade que, cada vez mais, nos impõe um padrão de felicidade inalcançável e cobra um alto preço por qualquer deslize.
 

As estatísticas mostram que o suicídio cresce não somente por questões demográficas e populacionais, mas também por problemas sociais que prejudicam o bem-estar de cada um e que estimulam a autodestruição. Fracassamos todos e, quando o suicídio chega a nossa casa, ficam as perguntas que nunca serão respondidas e uma saudade imensa e intensa.
 

No Brasil, a taxa de suicídio entre adolescentes e jovens aumentou pelo menos 30% nos últimos 25 anos. O crescimento é maior do que o da média da população, segundo o psiquiatra José Manoel Bertolote, autor de “O Suicídio e sua Prevenção”, em entrevista à Folha de S. Paulo.


A cada 40 segundos uma pessoa se mata no mundo, totalizando quase um milhão de pessoas por ano. De cada suicídio, de seis a dez outras pessoas são diretamente impactadas, sofrendo sérias consequências difíceis de serem reparadas. A dor diária insiste em argumentar que nunca serão. Resta o desejo de, como escreveu Nando Reis, “continuar aquela conversa que não terminamos ontem.”
 

Texto publicado originalmente aqui

Balanço final

Mês arrastado.
Passou como um verso que ninguém leu, parafraseando o que meu Amor "sonetou".
Passamos.
Os mesmos problemas não passaram.
Mas vejo - agora, sim - perspectiva de futuro.
Cheiro de futuro.
Futuro brilhante. Ou não. Mas futuro.
Já que a vida não vai devolver minhas fantasias, peço para ela pisar devagar.
Devagar, divagar.
Tem muita coisa pra postar aqui.
Coisas de um fim de semana especial, regado a leituras.
Solidão produtiva, rascunho.
Aguardemos.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Cause I love you, yes I love you


Fue un momento muy emocional ya que yo me encontraba al final de un gran amor y al inicio de otro.



Para ler mais, clique aqui.
Obrigada pela dica, #goldenboy

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Em vão




Vão embora, as pessoas. 
Sempre vão.
Sempre em vão, construo os laços.
Pergunto, educadamente, se eles podem ser mantidos.
Dizem que sim.
No fundo, falam não.
Sempre (em) vão...

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Das pequenas alegrias


\o/

O "texto lindo" que a @marcellaleal se refere pode ser lido aqui. 
Foi ótimo realizar essa cobertura... Uma incursão poética e temporal!





sábado, 8 de junho de 2013

Carrossel

 
 
 
Oito dias de mais um mês.
O carrossel gira.
Tem um "eu te amo" engasgado aqui.
Mas há também tanta coisa não dita...
Tenho medo.
Tento colocar ideias no lugar, modificar alguns costumes e desvencilhar de algumas pessoas.
Eliminá-los!
Choro. Está doendo.
Quando você vai parar de girar, carrossel!?