sábado, 31 de janeiro de 2015

Depois daquela noite

Qualquer coisa que escapasse dos seus lábios, depois daquela noite, soaria piegas e apressado. Havia aprendido profundas e dolorosas lições, nos últimos meses, e ansiava – num misto de medo e de expectativa – encontrar a situação adequada para colocá-las à prova. Naquela noite, afinal, depois de adiamentos e de indecisões, se encontraram. Lábios e mãos, também. Tocá-lo era uma necessidade vital. Sobretudo, sentir a força mística da sua pele negra. O afeto do seu abraço. Parecia urgente – ela ainda não sabia bem por qual motivo – que seus caminhos se encontrassem. Confusa, prendeu as palavras aos próprios lábios. Sorveu o momento para gravá-lo em um sorriso frouxo que a acompanharia ao longo do dia seguinte. 


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