sexta-feira, 24 de julho de 2015

Parem de compartilhar!

Minha última postagem no Facebook foi em 20 de novembro de 2014. Uma música do Tupac para celebrar o Dia da Consciência Negra (ouça aqui). De lá para cá, passei um mês distante, voltei e continuo naquela rede social por razões (bem) mais profissionais do que pessoais. Não, não vou fazer libelo anti-Facebook. Estou no Twitter, mas, também por razões profissionais, vivo mais em perfis alheios do que na minha própria conta. No Instagram, são menos de 10 fotos, e bem mais seguidores do que seguidos. Critérios internos - nem sempre objetivos e confessáveis - guiam meu clique em "seguir". 

O que me incomoda, de fato, é a transformação da própria vida em um produto de consumo. O relacionamento que começa e, logo depois, se vira tema principal de fotos e textos. A rotina diária glamourizada. Os plantões de fim de semana que viram "motivo" de comemoração para disfarçar a frustração em não poder estar com as pessoas amadas. Aliás, as pessoas amadas que também se transformam em um produto de a ser ostentado: os amigos fiéis, o "parças" inseparáveis, as aventuras insuperáveis...

Tem gente ganhando curtidas e dinheiro expondo o próprio relacionamento. Outros, a batalha para emagrecer, a luta contra uma doença. Sim, tenho dietas, doenças e relacionamentos. Sim, não sou exemplo a ser seguido. Mas minha presença (ou presença-ausente) nas redes sociais pauta-se pela pergunta: vale transformar a própria existência em uma novela? E o depois? E quando o relacionamento perfeito acabar? E se o emprego naufragar? Se os quilos voltarem? Enfim, vale mesmo conviver com perguntas sobre o depois? Para mim, não. Intimidade para os íntimos. Por favor, parem de compartilhar. 

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